Nas organizações, falamos frequentemente de valores e de cultura empresarial. Mas a cultura não é um documento afixado na intranet ou um slogan na parede. A cultura é o conjunto de comportamentos reais do dia a dia que moldam a forma como agimos, decidimos e nos relacionamos uns com os outros dentro da empresa.
Na minha opinião, a melhor definição é a seguinte:“Cultura é fazer o que tem de ser feito quando ninguém está a olhar, com base nos valores definidos na organização”. É aí que se mede a coerência de uma empresa.
A maioria das pessoas age de boa fé por uma questão de princípio. Mas, tal como na sociedade encontramos indivíduos que violam a lei em maior ou menor grau, também nas organizações podemos encontrar
1. Formação: semear o conhecimento
A cultura começa com a formação. Se as pessoas não souberem o que se espera delas, é difícil que o façam. Uma formação clara e regular sobre ética, conformidade e boas práticas é a primeira semente de uma cultura forte.
2. orientações e códigos de conduta: o quadro de referência
Assim como as empresas têm leis e constituições, as empresas têm códigos de conduta, diretrizes internas e políticas corporativas. Esses documentos não devem ser burocráticos, mas sim referências vivas e atualizadas que dão segurança ao funcionário e estabelecem limites claros.
3. Dar o exemplo: os líderes como modelos culturais
As diretrizes são de pouca utilidade se os líderes não derem o exemplo. A cultura é reforçada ou destruída a partir do topo.
O recente caso da Nestlé, que despediu o seu Diretor Executivo por violação do código de conduta, recorda-nos que ninguém está acima da cultura empresarial. Quando a gestão de topo actua como um modelo a seguir, toda a organização toma conhecimento. E quando falha, a confiança é abalada.
4. O “cão de guarda”: o canal de denúncia
Em qualquer sociedade, para além das leis e da educação, existe um mecanismo de controlo: a polícia, que vigia o cumprimento das regras.
Na empresa, este papel é assumido pelo canal de denúnciasTrata-se de um instrumento contínuo de vigilância ética e de proteção das pessoas que detectam incumprimentos. Não se trata de criar medo, mas de garantir que a cultura não fique no papel, mas seja efetivamente aplicada.
Conclusão
A cultura de uma empresa é como a vida numa cidade:
- A formação é a escola.
- Os códigos de conduta são leis.
- Os líderes são os pontos de referência.
- E o canal para as queixas é a polícia, que garante que todos jogam limpo.
Quando todos estes elementos funcionam em harmonia, a cultura torna-se uma vantagem competitiva: um ecossistema onde as pessoas confiam, as regras são cumpridas e a organização avança com consistência e força.
Na ithikios, oferecemos soluções éticas e transparentes para criar uma cultura de confiança.